20 empresas contribuem com mais de um terço das emissões poluentes globais

Uma estudo do Climate Accountability Institute aponta as 20 empresas de combustíveis fósseis responsáveis pelo estado atual de emergência climática no planeta.

Na lista das empresas com maior responsabilidade nas emissões de gases com efeito estufa, de acordo com o estudo publicado, as 20 principais contribuíram com 35% do total de emissões de dióxido de carbono e metano, totalizando 480 mil milhões de toneladas de equivalente de dióxido de carbono desde 1965.

Foi nesse ano que governos e empresas passaram a estar conscientes do impacto ambiental dos combustíveis fósseis. Em novembro de 1965, o presidente dos EUA Lyndon Johnson divulgou um relatório do seu conselho de cientistas que dava como provável o impacto da produção de combustíveis fósseis no aquecimento global.

Na lista dos mais poluentes estão nomes bem conhecidos da indústria petrolífera, como a Chevron, Exxon, BP, Shell, Gazprom ou a saudita Aramco, bem como empresas estatais do Irão, Venezuela, China, Iraque, Índia, Kuwait, entre outras (ver quadro).

Top das 20 empresas mais poluentes. Os dados estão em milhões de toneladas de equivalente de dióxido de carbono desde 1965 e a percentagem refere-se à fatia da empresa no total de emissões globais.

“A grande tragédia da crise climática é que sete mil e quinhentos milhões de pessoas paguem o preço — na forma de um planeta degradado — para que uma mão cheia de interesses poluidores continuem a somar lucros recorde. É uma enorme falha moral do nosso sistema político ao ter permitido que isto acontecesse”, afirma o cientista norte-americano Michael Mann, um dos nomes de referência da climatologia mundial.

Do total de emissões provocadas por estas empresas de combustíveis, de acordo com o estudo do Climate Accountability Institute citado pelo Guardian, 90% devem-se à utilização dos seus produtos e os restantes 10% referem-se à extração, refinação e transporte dos combustíveis.

O autor do estudo, Richard Heede, acusa estas empresas de terem “coletivamente atrasado a ação nacional e global ao longo de décadas”. A acusação é refutada por algumas empresas inquiridas pelo diário britânico — apenas sete das vinte empresa citadas responderam às questões colocadas — e muitas delas colocam a responsabilidade nos consumidores, afirmando que não podem ser culpadas pelo uso que aqueles dão aos seus produtos.

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